A Pesquisa de CPO & CSCO 2026, realizada pelo Procurement Club com líderes de Supply Chain e Compras na América Latina e no Canadá, mostra que digitalizar processos é a terceira maior prioridade das empresas, ficando atrás apenas de metas financeiras e capacitação. Esse dado ajuda a explicar o momento do setor: a digitalização do procurement já começou, mas ainda acontece de forma desigual.
Na prática, muitas organizações seguem presas entre a intenção e a execução. Elas investem em tecnologia. Mesmo assim, essas empresas ainda enfrentam problemas estruturais internos. Os processos continuam fragmentados e com baixa qualidade de dados. Além disso, existe pouca integração entre os sistemas. O principal desafio mora exatamente nesses pontos. Contudo, essa também representa a maior oportunidade para gerar valor.
A digitalização do procurement: de setor operacional a protagonista
Esse movimento não ocorre de forma isolada no mercado. Estudos recentes da McKinsey apontam uma mudança importante. O setor de compras ganha cada vez mais protagonismo nas empresas. Assim, a área deixa o foco exclusivo na simples redução de custos.
Hoje, a digitalização do procurement permite atuar diretamente na proteção de margens. O setor também garante a resiliência da cadeia e apoia a tomada de decisão.
Pesquisas globais de Supply Chain reforçam esse contexto atual. A maioria das empresas enfrentou grandes disrupções nos últimos anos. Muitas ainda operam com visibilidade limitada sobre sua cadeia. Geralmente, elas não enxergam muito além do primeiro nível de fornecedores.
Nesse cenário, a tecnologia deixa de ser apenas um ganho de eficiência. Ela vira uma condição essencial para operar com previsibilidade. Por isso, empresas mais avançadas tomam decisões muito mais rápidas. Elas possuem maior controle sobre os gastos e respondem melhor aos riscos. Isso acontece porque elas estruturaram corretamente seus processos e dados.
Tendências Consolidadas no Mercado Atual
Atualmente, o mercado corporativo já consolidou algumas tendências fortes. A integração de plataformas, por exemplo, substitui as soluções isoladas. O sistema cloud (nuvem) virou um verdadeiro padrão no setor. Além disso, as empresas tratam o ESG como parte fundamental da gestão de risco.
A inteligência artificial (IA) também avança rapidamente. No entanto, ela possui um papel muito bem definido. A IA serve para automatizar tarefas, apoiar análises e ampliar a decisão estratégica. Ela não veio para substituir o julgamento humano. Essa clareza separa as expectativas irreais das soluções práticas.
Expectativa vs. Realidade na Automação do Procurement
Hoje, diversas soluções tecnológicas já funcionam muito bem em ambientes estruturados. A automação de processos e a análise de gastos são ótimos exemplos. O monitoramento de fornecedores também se destaca positivamente.
Por outro lado, uma IA operando as compras de forma 100% autônoma ainda parece distante. Esse cenário de digitalização do procurement esbarra em limitações básicas de processos e dados.
A própria pesquisa do Procurement Club evidencia isso com total clareza. Quase metade das empresas precisa resolver esses fundamentos estruturais básicos. Só depois elas poderão escalar o uso de IA com segurança. Portanto, acelerar a adoção de tecnologia sem consertar a base apenas amplifica as ineficiências.
O Futuro é a Inteligência de Negócio
No fim das contas, a transformação mais relevante exige posicionamento das lideranças. A digitalização do procurement transforma um setor puramente operacional. A área se torna um verdadeiro núcleo de inteligência do negócio.
Esse sucesso depende menos da quantidade de iniciativas tecnológicas implementadas. O fator determinante para vencer é a consistência na execução.
Artigo escrito por Walter Freitas, Sócio e Diretor da Level Group.